Casos de Inovação

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Altave

Apresentação

Startup de São José dos Campos desenvolve balões estáticos para defesa e segurança e derrota gigantes multinacionais, em licitação internacional para os Jogos Rio 2016.

A empresa

• São José dos Campos - SP

• Startup

• Porte EPP

• Setor Aeronáutico

• 25 colaboradores

• Agenda da MEI: PME inovadoras

O projeto

É extraordinária a história de ousadia da empresa paulista ALTAVE, em seu ingresso no segmento de aeronaves mais leves do que o ar. Com apenas quatro anos de existência, a empresa, fundada por dois engenheiros aeronáuticos, recém-formados pelo ITA, venceu concorrência multinacional para o fornecimento de balões estáticos não tripulados, equipados com câmeras de alta precisão, para monitoramento e segurança dos Jogos Rio 2016.

Essa história de sucesso começa quando Bruno Avena e Leonardo Nogueira, ainda estudantes do ITA, entram em contato com a tecnologia de balões e dirigíveis, durante formações acadêmicas na França e na Alemanha e em estágio na NASA, nos Estados Unidos.  Os dois amigos logo perceberam que desenvolver esses equipamentos no Brasil seria a oportunidade de negócio que vinham buscando.

Em 2010, o primeiro projeto criado por eles, com o propósito de utilizar balões para levar internet e comunicação a regiões distantes, torna-se semifinalista no Prêmio Santander Universidades de Empreendedorismo.

No ano seguinte, já graduados no ITA, os dois engenheiros criam a ALTAVE. Em pouco tempo, conseguem subvenções no Programa RHAE, do CNPq e no Pipe, da Fapesp, para desenvolver o projeto.

A abertura a críticas e opiniões, provenientes principalmente da rede de networking de ex-alunos do ITA, contribuiu para o aperfeiçoamento da proposta. “Nós nunca escondemos nossa ideia: onde a gente podia discutir nosso projeto, a gente discutia. Não tinha nenhum zelo ou preocupação de que alguém pudesse roubar nossa ideia. A gente falava para todo mundo e pedia opiniões”, conta Leonardo.

A partir do contato com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), houve, ainda em 2011, a iniciativa de desenvolver balões para defesa e segurança. Os primeiros testes de viabilidade foram realizados em dois balões livres e um estático, usando rádios. “Nós pegamos quatro rádios emprestados com um primo, colocamos dois deles no primeiro balão livre e com os outros dois conseguimos percorrer cerca de 60 quilômetros, conversando por meio do balão. A parte engraçada é que, ao final do teste, nós perdemos o balão, e meu primo até hoje está esperando que eu devolva seus rádios”, diverte-se Leonardo. Outros testes confirmaram mais tarde que o uso de balões estáticos constituía-se na melhor alternativa.

Visibilidade

As participações em feiras internacionais abriram portas para parcerias importantes e chamaram a atenção do Ministério da Defesa – que então estava montando o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras – e de grandes empresas norte-americanas e israelenses. “Nós éramos – e somos até hoje – a única empresa no Hemisfério Sul que desenvolve e comercializa produtos e soluções compostos de balões cativos”.

Exatamente por isso, nos tornamos referência para discutir qualquer projeto de balão ou aeronave mais leve que o ar”, explica Bruno.

Com recursos provenientes de dois investidores-anjo, também ligados ao ITA, a ALTAVE desenvolveu os primeiros protótipos de balões estáticos em 2013, primeiramente testados no monitoramento do Carnaval carioca e em ações de monitoramento ambiental, juntamente com a PM de São Paulo.

As permissões para a instalação de um balão de demonstração na final da Copa das Confederações no Rio de Janeiro, em 2013, e na final da Copa Libertadores, em 2014, garantiram à ALTAVE a base para se qualificar como fornecedora de balões para a segurança dos Jogos Olímpicos Rio 2016, fato que se concretizou com a vitória em licitação internacional, na qual competiram a norte-americana TCOM, líder mundial no segmento, e a Safran, maior empresa de aeronáutica da França.

Sem jamais haver participado de qualquer concorrência, a ALTAVE acabou vencendo a disputa, graças ao detalhamento do projeto e ao conhecimento dos custos e das margens aceitáveis. Para conseguir agilidade na hora de dar seus lances no pregão eletrônico, a ALTAVE criou um simulador de propostas quase em tempo real, capaz de permitir decisões rápidas sobre os valores propostos. Como resultado, abocanharam um contrato de R$ 24 milhões.

A partir da assinatura desse contrato, a ALTAVE conseguiu, em seis meses, desenvolver e instalar quatro balões a 200 metros de altura, munidos com câmeras capazes de gravar imagens contínuas e de alta precisão, em uma área total de 160 km², que equivale a 13% do território da cidade do Rio de Janeiro. Além disso, os balões eram resistentes a ventos de até 60 km/h e também a tiros. “Em nossos testes, demos 39 tiros de fuzil, e o balão continuou voando por mais de duas horas e meia”, relata Bruno.

A empresa precisou desenvolver com parceiros nacionais o tecido exclusivo dos balões, além de criar um tipo próprio de guincho que, por ser de pequeno porte, mostrou-se muito mais prático do que os existentes no mercado. A ALTAVE já registrou patente internacional desse equipamento.

Depois do sucesso nos jogos Rio 2016, a empresa já patenteou o ALTAVE Explorer, uma evolução do balão usado nas Olimpíadas, com menor custo operacional e mais segurança. O equipamento realiza içamento e recolhimento telecomandados, sem  contato físico do operador com o balão ou com as cordas.


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