Casos de Inovação

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Artecola

Apresentação

Desenvolvido pela empresa gaúcha Artecola, adesivo em pó aumenta a qualidade dos calçados, diminuindo o custo, o consumo de material e a produção de resíduos.

A empresa

• Campo Bom - RS

• Porte: Grande

• 800 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Químico

• Agenda da MEI: Recursos Humanos para a inovação

O projeto

Desenvolvido pela empresa gaúcha Artecola, adesivo em pó aumenta a qualidade dos calçados, diminuindo o custo, o consumo de material e a produção de resíduos.Resultado de um trabalho em parceria e da determinação em encontrar soluções para problemas recorrentes dos clientes, o lançamento do adesivo em pó Artepowder é um exemplo significativo de inovação.

Em que pese ser uma das indústrias mais dinâmicas do mundo, o setor calçadista dependia exclusivamente da utilização de adesivos à base de solventes, no processo de colagem dos solados. Tal processo era manual e causador de uma série de inconvenientes, entre os quais a falta de padronização, o longo tempo de colagem, o desperdício de material e a geração de resíduos tóxicos.

A tecnologia inovadora para mudar esse cenário foi vislumbrada pela Artecola, a partir da sugestão de uma empresa fabricante de máquinas, que buscava automatizar o processo de colagem.

O desafio de simplificar a produção, mediante a diminuição do uso de solventes, foi então assumido pela equipe de pesquisa da Artecola, em 2006.

Depois de estudos e avaliações, a empresa optou pelo desenvolvimento de um adesivo em pó, produto que, embora já existisse em outros mercados, ainda não era utilizado pela indústria calçadista.

Com quase 70 anos de história, 11 plantas em vários países e um portfólio variado, que atende a diversos mercados, a Artecola é uma referência global em adesivos.

Para a obtenção de um polímero passível de micronização, a empresa estabeleceu parcerias fundamentais com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e com o Instituto Fraunhofer IFAM, da Alemanha, um dos mais importantes centros de pesquisa do mundo, com o intuito de desenvolver uma nova molécula que atendesse às exigências e restrições a produtos, comuns no mercado calçadista. Esse desenvolvimento ocorreu nos laboratórios do instituto, durante o doutorado da química líder do projeto, Geovana Bockorny.

Apesar de avanços significativos, a Artecola ainda não tinha a solução para aplicação automatizada do produto, o que só ocorreu a partir de 2008, quando estabeleceu parceria com a Orisol.

Essa empresa de equipamentos para o setor calçadista, com grande atuação na Ásia, já tinha um protótipo de máquina para aplicação de adesivos. A transferência desse equipamento para a Artecola deu início a uma fecunda interação entre uma empresa química e outra mecânica, em busca de uma inovação. “Desenvolvemos toda a solução em conjunto, com as equipes realmente trabalhando juntas. Ninguém ficou em sua zona de conforto”, lembra Geovana.

As duas empresas trabalharam por dois anos até atingirem a granulometria adequada do pó a ser aplicado. A máquina, por sua vez, passou por diversos ajustes para aperfeiçoar o sistema de colagem e de recirculação das sobras do adesivo, sem lançar resíduos no ambiente, contando com o apoio decisivo do Instituto SENAI de Inovação em Engenharia de Polímeros (Cetepo).

Como funciona

Na máquina, batizada de OPS 410, o pó é depositado no solado por meio de um bico injetor. O excesso do produto é removido por meio de um jato de ar, retornando ao sistema para ser reutilizado. O adesivo é então ativado de maneira simples por meio de calor. “Enquanto na colagem com adesivos tradicionais o calçado precisa passar por um longo túnel de aquecimento, para a evaporação do solvente, no processo com o Artepowder, a sola passa rapidamente sob uma lâmpada, para receber um flash a 70ºC”, explica Geovana.

Depois da junção da sola com a peça superior, feita manualmente, o conjunto é prensado e o calçado está pronto, com uma economia de 70% no tempo de produção e de 95% no consumo de matéria-prima adesiva. Além disso, o processo não gera resíduos, consome menos mão de obra e não é prejudicial à saúde dos trabalhadores.

Embora o foco inicial fosse o segmento de calçados casuais, as duas empresas logo perceberam que o grande potencial do Artepowder estava no segmento esportivo, menos sujeito a variações provocadas pela moda e com alta escala de produção.

Uma joint venture com a Orisol levou a Artecola a transferir a produção dos químicos auxiliares para a planta da China. Enquanto tramita o processo de registro mundial de patentes, a fabricação do adesivo continua sendo feita no Brasil, mas logo deve ser transferida também para a China, onde ficará mais próxima dos grandes clientes.

Dezenas de máquinas já foram adquiridas e milhões de calçados produzidos utilizando o adesivo em pó. Uma história de inovação e de parceria, que começou sem grandes pretensões, mas que fincou pé no mercado produtor de 85% dos calçados esportivos consumidos no mundo.


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