Casos de Inovação

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Brasil Ozônio

Apresentação

 Brasil Ozônio desenvolve equipamento de baixo custo, que, sem produzir resíduos, descontamina água, ar, fluidos, alimentos e matérias-primas.

A empresa

• São Paulo - SP

• MPE

• 14 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Químico

• Agenda da MEI: PME inovadoras/ Financiamento para inovação

O projeto

O ozônio (O3), gás formado a partir do rompimento de moléculas de oxigênio, é um dos mais poderosos oxidantes e germicidas conhecidos, além de ser de baixíssimo custo e ambientalmente correto, pois não deixa resíduos.

Extremamente instável, o ozônio volta a se transformar em oxigênio em poucos minutos, e seu alto poder germicida faz dele um elemento 100 vezes mais potente e de ação 3.120 vezes mais rápida do que o cloro, por exemplo.

Para aproveitar essas propriedades, a empresa paulista Brasil Ozônio desenvolveu um equipamento que produz ozônio no próprio local da aplicação, permitindo uma gama variada de tratamentos, desde uma piscina até grandes plantas industriais, ou mesmo áreas degradadas.

A empresa já colheu resultados importantes, com destaque para casos de desodorização de efluentes gasosos em indústrias químicas, de fertilizantes, de autopeças, de resíduos hospitalares, além da descontaminação de grandes volumes de água de efluentes industriais e de mineradoras.

O caso mais emblemático, no entanto, foi o desenvolvimento de processo de tratamento de água, efluentes e solo, contaminados por metais pesados, provenientes de uma mina de urânio desativada em Caldas (MG), pertencente às Indústrias Nucleares do Brasil S/A (INB).

A área, com um passivo ambiental de 2,5 milhões de metros cúbicos de água contaminada, conta agora com uma tecnologia que promove a recuperação dessa água e dos metais pesados nela contidos, por meio de processo de oxidação e filtragem, possibilitando o reaproveitamento dos metais como matéria-prima e o retorno da água ao meio ambiente.

Com um mercado potencial quase imensurável, a Brasil Ozônio disponibiliza unidades móveis de geração de ozônio em vans, para fazer demonstrações do tratamento in loco. 

Apesar de sua comprovada eficácia, grande parte das empresas ainda reluta em agir antes de surgirem denúncias, multas ou problemas legais. “Já visitamos e realizamos testes em centenas de empresas, mas a maioria engaveta o projeto, por não ter sido ainda acionada por nenhum órgão de fiscalização”, lamenta Samy Menasce, fundador da empresa.

Apesar disso, a Brasil Ozônio fechou o ano de 2016 com faturamento de R$ 2 milhões e estima um crescimento de 150% em 2017, resultante, principalmente, de tratamentos de descontaminação e desodorização de gases industriais, um dos carros-chefes da empresa.

A Brasil Ozônio oferece um pacote completo de serviços, incluindo o estudo detalhado do caso de cada cliente para dimensionar o equipamento, a montagem do sistema e o treinamento da equipe que vai monitorar o processo. 

A empresa teve o mérito de criar uma solução equiparável em eficiência aos equipamentos dos grandes fabricantes de ozonizadores, a um custo extremamente baixo. “Enquanto os equipamentos deles chegam a 10% de concentração de ozônio e custam milhões de dólares, os nossos alcançam 6% de concentração de ozônio e custam alguns milhares de reais”, compara o entusiasmado empresário.

Menasce garante que o ozônio é a solução mais barata que existe porque o custo está somente no equipamento e na implantação do sistema. “Além do mais, não há necessidade de comprar matéria-prima, não há estoque nem resíduo, e o sistema é todo automatizado”, explica.

Vencendo dificuldades

Ex-executivo do Grupo Safra, Samy Menasce conheceu as propriedades do ozônio por meio de um amigo médico, que há anos estudava as possibilidades medicinais do gás. De maneira despretensiosa, os dois decidiram criar uma máquina geradora de ozônio. Depois de várias tentativas frustradas, conseguiram eliminar o tom esverdeado da água de uma piscina, que serviu como campo de testes. Foi então que perceberam ter nas mãos um novo produto, com grandes chances competitivas no mercado.

A aprovação do projeto, apresentado, em 2005, ao Cietec – a  incubadora de empresas tecnológicas da USP – foi o estímulo que faltava para a criação da empresa.

Menasce credita grande parte do sucesso de seu negócio ao Cietec, que não só ajudou na inscrição da empresa em editais de financiamento, como também auxiliou na solução de problemas técnicos do equipamento.

Pesquisadores da universidade e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) descobriram, por exemplo, porque os 10 primeiros equipamentos produzidos foram destruídos pelo fogo: uma reação química do nitrogênio, encontrado no ar, formava um composto que entupia a máquina.

A solução foi obter uma fonte de geração de oxigênio puro, encontrada por acaso em um aparelho concentrador de oxigênio de uso hospitalar para pacientes com problemas respiratórios. A Brasil Ozônio incorporou o aparelho ao equipamento e o manteve, sendo essa a única peça não fabricada no Brasil.

Tão rápido quanto o ozônio volta a se transformar em oxigênio, a Brasil Ozônio prospecta aplicações do equipamento na agricultura e na saúde e quer lançar também um descontaminante doméstico, que aproveite todas as qualidades do gás que projetou a empresa.


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