Casos de Inovação

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Cervejaria Insana

Apresentação

Empresa do interior do Paraná inova, ao lançar cerveja produzida à base do pinhão, alimento típico regional,  ajudando na proteção das matas de araucária, ameaçadas de extinção.

A empresa

• Palmas - PR

• EPP

• 37 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Alimentos - Bebidas

• Agenda da MEI: PME inovadoras

O projeto

Lançada em 2014 pela Cervejaria Insana, instalada em Palmas, no sudoeste do Paraná, a primeira cerveja artesanal brasileira, feita a partir do pinhão – a semente da araucária – além de estimular o paladar de quem degusta e garantir retorno para quem produz tem outra importante missão a cumprir: a de gerar renda para pequenos produtores locais e contribuir para a preservação da araucária, árvore símbolo do estado. 

A história da cervejaria começou com um kit para fabricação de cerveja caseira, adquirido pelos amigos Pedro Reis, Evandro Marini e Francelo Carraro, em 2009. Depois de diversas tentativas frustradas, o trio aprendeu as técnicas de produção e conquistou dois prêmios no concurso nacional, promovido pela Associação Brasileira de Cervejeiros Caseiros, em 2010.

Era a primeira indicação de que a brincadeira tinha potencial para virar um negócio, o que efetivamente aconteceu com a construção de uma planta com capacidade produtiva de 30 mil litros/mês, bancada por recursos próprios e por um financiamento de R$ 2 milhões do Finame, do BNDES.

Tamanha ousadia teve como consequência dois anos de resultados negativos, só revertidos graças à abertura de novos mercados, tais como o fortalecimento do chope Insana, que deu fôlego à cervejaria para tentar novos projetos.  A produção de uma cerveja com apelo regional era um deles. “Tínhamos o desejo de criar um estilo de cerveja brasileiro. Nossa ideia era usar ingredientes nacionais tradicionais, e o pinhão acabou sendo uma escolha natural”, explica Pedro.

 

Desafio do sabor

Foram muitas as tentativas dos cervejeiros insanos, até descobrirem que o sabor característico do pinhão precisava ser extraído da casca. Assim, a casca e a amêndoa entram separadas e em momentos diferentes, no processo de fabricação desenvolvido.

O lançamento do primeiro lote, em 2014, foi atrasado pela inexistência  de um sistema eficiente para descascar o pinhão. Isso não impediu que as cinco mil garrafas da Insana Pinhão, produzidas naquele ano – consumindo 200 kg de semente – fossem rapidamente vendidas e a novidade virasse notícia na região.

A cerveja é lançada apenas no período do inverno, para que se respeite a proibição legal da colheita de pinhão nos meses de setembro a abril, o que garante sua multiplicação e a alimentação dos animais silvestres.

O engajamento da nova bebida no esforço pela proteção da árvore ganhou força com o Projeto Araucária+, da Fundação Certi, de Santa Catarina, uma iniciativa de valorização econômica das florestas de araucária, por meio da criação de uma rede sustentável de consumo e de produção. “Foi um casamento perfeito: eles estavam procurando soluções que demandassem a industrialização do pinhão, para aumentar a rentabilidade dos produtores, e nós queríamos que nosso produto tivesse um cunho social e de sustentabilidade. Queríamos garantir que estávamos contribuindo para a preservação”, explica Pedro.

A adesão ao projeto levou ao desenvolvimento, em parceria com uma cooperativa de produtores, de equipamento para automatizar o descascamento do pinhão, o que permitiu aumentar a produção para 25 mil garrafas em 2015, com o processamento de 800 quilos de pinhão. 

A cerveja, com identidade de origem, também carrega consigo a visão de sustentabilidade da floresta de araucárias, vegetação típica do Sul e das populações que produzem e sobrevivem do pinhão. 

Aos números de 2016, cuja produção foi de 45 mil garrafas e consumo de uma tonelada de pinhão, deve-se agregar a preservação de 40 hectares de floresta, consolidando o posicionamento de sustentabilidade da empresa. A meta, a partir de 2018, é de utilizar 10 toneladas de semente por safra, o que representa cerca de 400 hectares de mata nativa protegidos a cada ano.

O mais curioso é que a proposta também inverte a lógica de proteção industrial. Sem medo de concorrência, a cervejaria estimula o surgimento de outros rótulos de cerveja de pinhão. Pedro explica que não existe fidelização nesse mercado, tendo em vista que o cliente sempre quer provar novos sabores. “Quanto mais cervejas e cervejarias entrarem no mercado, tentando ensinar às pessoas que existe um mundo de opções, mais consumidores eu vou ter”, explica.

A cervejaria possui oito rótulos em seu portfólio, entre eles uma cerveja feita com grãos de café com indicação geográfica. Mas a Insana Pinhão, sozinha, representa 50% do faturamento no período de inverno e 12% do resultado anual, que gira em torno de R$ 3 milhões.

Esse resultado representa um potencial que estimula incursões no mercado internacional. A Insana já fez vendas pontuais para o Japão e está concluindo negociações com o Paraguai. Contando agora com a maestria de um mestre cervejeiro, a empresa se prepara para explorar o mercado da sustentabilidade, na Europa e nos Estados Unidos.


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