Casos de Inovação

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Cliever

Apresentação

Empresa gaúcha desenvolve impressora 3D de alta precisão e custo acessível e já vislumbra cenário em que equipamentos não serão vendidos e sim compartilhados.

A empresa

• Porto Alegre - RS

• EPP

• 21 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Mecânica de precisão - impressoras 3D

• Agenda da MEI: PME inovadoras

O projeto

Pioneira no desenvolvimento de impressoras 3D com tecnologia nacional, a gaúcha Cliever soube fazer a leitura correta do mercado, para enfrentar a concorrência de empresas chinesas e norte-americanas.

Na época em que a euforia com esse novo equipamento apontava para o crescimento do uso doméstico, a Cliever apostou no atendimento a indústrias, até então distantes dessa tecnologia.

Foi em 2013 que Rodrigo Krug, sócio-fundador da recém-inaugurada Cliever, percebeu a oportunidade de desenvolver uma impressora de alta precisão e velocidade, para aplicação profissional.

“Sempre fui cético quanto à popularização da tecnologia. Mas com essa onda, empresas começaram a fazer máquinas baratas e nós começamos a perder vendas. Voltamos então nosso foco 100% para a indústria, que não era atendida nem pela máquina barata nem pela de R$ 100 mil. Foi esse reposicionamento que salvou a empresa e nos permitiu chegar aonde chegamos”, conta o dono da Cliever, hoje a maior fabricante nacional de impressoras 3D, com mais de 900 equipamentos vendidos.

Foram três anos de pesquisa e de superação dos mais diversos obstáculos para desenvolver o novo equipamento, a partir de uma tecnologia ainda inédita no país.

Para conseguir a qualidade de impressão pretendida, a Cliever investiu na tecnologia da estereolitografia, que solidifica camadas de uma resina líquida, por meio da luz gerada por um feixe de laser.

Para vencer as diversas barreiras tecnológicas, a Cliever conseguiu apoio no edital SENAI de inovação. Todas as rotinas algorítmicas aplicadas nas outras impressoras da Cliever tiveram de ser revistas no novo equipamento, já que cada milímetro de movimento do laser exige o cálculo de 65 mil pontos.

A distorção geométrica, provocada pela reflexão da luz em espelhos, foi outro desafio. “Essa distorção podia ser corrigida por uma lente, que custava uma fortuna, ou por um software, que também custava uma fortuna”, lembra Rodrigo. A solução foi o desenvolvimento de um software próprio e a importação de atuadores eletroeletrônicos de Taiwan, o que aumentou significativamente o custo previsto, atrasando o lançamento da nova impressora. Também foi preciso desenvolver uma resina específica, em parceria com um fornecedor nacional.

Vencidos esses desafios, a Cliever obteve investimentos de R$ 2 milhões do Fundo Criatec 2 para finalizar o projeto do modelo SL1, finalmente lançado em abril de 2016.

O equipamento portátil, rápido e de fácil utilização – graças ao software, capaz de ler 13 diferentes programas de modelagem – teve grande aceitação. “O usuário desenha o que quer imprimir em qualquer software de modelagem e basta exportar o modelo da peça, usando um USB ou cartão de memória, clicar em imprimir e deixar o equipamento trabalhar sozinho”, explica Rodrigo.

Nicho de mercado

A nova impressora imprime peças de até 12,5 x 12,5 x 10 cm com fino acabamento e precisão de incríveis 25 mícrons, dimensão que equivale a um terço da espessura de um fio de cabelo.

A SL1 responde às necessidades de prototipagem rápida, principalmente das áreas médica e odontológica, joalheria, instituições de ensino e indústrias de transformação em geral, nem sempre atendidas por equipamentos com a tecnologia mais comum, que forma os objetos a partir da fusão da resina e alcançam grau de precisão da ordem de décimos de milímetros.

O preço da SL1, R$ 32 mil, muito inferior ao de similares estrangeiros, contribuiu para o faturamento de R$ 3 milhões, alcançado em 2016, e certamente terá grande participação na previsão de R$ 7 milhões em vendas, para 2017.

Entretanto, o rápido sucesso não fez a Cliever se acomodar. A empresa valoriza a estratégia de entender seus clientes e negócios e, junto com eles, busca encontrar soluções para melhorar o negócio com o uso da impressora certa para a solução das necessidades de seu público-alvo.

A empresa agora está empenhada em desenvolver uma resina especial para imprimir próteses finais para aplicações médicas e entrar no mercado sul-americano, a partir do interesse do governo peruano em utilizar o equipamento na educação.

Sempre pensando à frente, Rodrigo está atento à transformação do mercado, a partir do conceito da indústria 4.0, que aponta para a multiplicação de minifábricas descentralizadas.

O empresário prevê também que, no período de 5 a 10 anos, não estará mais vendendo impressoras, mas sim o poder de uso dos equipamentos. Nesse cenário, ele quer conectar quem busca o uso com aqueles que já têm a impressora 3D da Cliever, com o propósito de gerar algum tipo de receita, principalmente para pequenas e médias empresas. Das 900 impressoras vendidas pela empresa até hoje, Rodrigo assegura que “menos de 10% delas estão funcionando agora”.


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