Casos de Inovação

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Elekeiroz

Apresentação

Elekeiroz lança no mercado o ácido butírico, produzido a partir do aproveitamento de derivado de outro processo industrial. O produto só era disponível no Brasil, via importação.

A empresa

• São Paulo - SP

• Porte: Grande

• 600 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Químico

• Agenda da MEI: Inserção global via inovação

O projeto

Tradicional indústria química brasileira, a Elekeiroz percebeu que poderia aproveitar a separação de subprodutos na etapa de purificação do butanol, para lançar um novo produto, ainda não fabricado no país: o ácido butírico.

O projeto surgiu do comentário de um colaborador sobre a possibilidade de comercializar o ácido, produto intermediário na fabricação do Butanol, quando utilizada a rota biofermentativa.

Os químicos da equipe encontraram a solução em outro processo, que exigia apenas uma conversão simples. “Tínhamos outro intermediário, em um processo alternativo de outra cadeia produtiva, que poderia ser oxidado para gerar o ácido. Foi assim que surgiu a pista, um pouco por acaso”, explica Rafael Pellicciotta, gerente-executivo de inovação e engenharia da Elekeiroz.

Daí nasceu o projeto Aroma, com foco inicial no atendimento à indústria de aromas e fragrâncias para alimentos e cosméticos. Essas indústrias convertem o ácido butírico em outros produtos químicos, chamados ésteres, para obter aromas característicos.

Para alcançar o alto grau de pureza exigido – uma vez que alterações sutis na composição podem mudar radicalmente o odor pretendido – a equipe de P&D desenvolveu um sistema de purificação próprio, que confirmou a viabilidade do novo produto,  através de testes em laboratório.

O lançamento, no tempo recorde de seis meses, transformou a Elekeiroz na única empresa a produzir o ácido butírico na América Latina.

Posteriormente, estudos de mercado identificaram potencial ainda maior no setor de alimentação animal, que responde por 61% do consumo mundial de ácido butírico, contra 12% destinados ao setor de cosméticos e alimentos.

A principal aplicação do produto é no desmame de suínos e na criação de frangos, uma vez que o ácido butírico abre o apetite dos animais, garantindo o aumento da produtividade.

O ácido também ajuda a estabilizar o trato intestinal dos animais, diminuindo a necessidade de antibióticos, o que representa um apelo de sustentabilidade importante no mercado de alimentos. 

Embora os principais clientes ainda sejam provenientes do setor de fragrâncias e aromas, a perspectiva de crescimento do setor de alimentação animal estimula a empresa.

Como o quarto maior produtor de carne suína do mundo e o terceiro de frangos, o Brasil importou US$ 1,15 milhão em ácido butírico, em 2015.

Nesse cenário, a Elekeiroz quer fortalecer sua posição no mercado interno e tem um enorme potencial de crescimento, oferecendo maior diversificação de produtos para atender aos requisitos da indústria de alimentação animal, como butiratos derivados do ácido butírico. “Não dá para dizer que já nos transformamos em um player do mercado. Mas estamos aumentando, aos poucos, a confiança em nosso produto”, comenta Rafael, que aposta em parcerias com outras empresas para desenvolver novos derivados.

O esforço atual está voltado para o mercado interno, onde a força de vendas está mais preparada para atuar. Porém, a empresa vem-se preparando para entrar no mercado externo, buscando certificações, pré-requisitos para esses mercados.

Inovar para não estagnar

O lançamento do ácido butírico foi um dos resultados da reestruturação implementada na Elekeiroz, a partir de 2012. Fundada em 1894, a empresa sempre foi pioneira no segmento químico nacional, com um portfólio variado de produtos, desenvolvidos internamente ou por meio de aquisições de outras empresas.

O novo CEO contratado implantou a área de Inovação e Engenharia, com equipe exclusivamente dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos e processos inovadores. A redefinição da estratégia da empresa também incluiu a elaboração de diagnóstico minucioso dos processos internos e a mudança do foco do produto para o mercado.

Utilizando duas abordagens complementares, denominadas Inside out (identificação, dentro de casa, de possíveis pontos de melhoria e desenvolvimento) e Outside in (olhar para o ambiente externo à empresa, em busca de oportunidades), a Elekeiroz tratou de identificar possibilidades internas de melhoria e desenvolvimento de produtos, além de, ao mesmo tempo, trazer novas oportunidades de fora.

Com a perspectiva de ocupar um mercado dominado por produtos importados, o lançamento do Projeto Aroma foi um típico caso de Outside in, que tem tudo para crescer exponencialmente, mediante a realização de negócios com a Ásia, Europa e Estados Unidos.  


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