Casos de Inovação

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Livre

Apresentação

Kit adaptável a qualquer modelo de cadeira dá mobilidade, autonomia e autoestima ao usuário. 

A empresa

• São José dos Campos/SP

• Startup

• Onze colaboradores e 3 sócios

• Inovação de produto

• Agenda da MEI: Pequenas e médias empresas inovadoras assistiva

O projeto

Um desafio tecnológico, proposto no mestrado em Engenharia Mecânica, na Unesp de Guaratinguetá (SP), foi o ponto de partida para a criação de um equipamento com  potencial para mudar a vida de pessoas com limitações motoras. O projeto, desenvolvido por Júlio Oliveto, transforma qualquer cadeira de rodas em um triciclo elétrico, com o acoplamento de uma parte dianteira com guidão, roda, comandos e motorização.

Os comandos de freio e aceleração são customizáveis, para permitir a operação por pessoas com diferentes tipos de limitação. O equipamento básico possui dois freios, um em cada manopla, sendo possível ainda colocar um freio duplo apenas de um lado ou mesmo nos pés. Além disso, as manoplas podem ser adaptadas de acordo com a mobilidade das mãos.

“O objetivo do KIT LIVRE é tornar as pessoas usuárias de cadeiras de rodas novamente protagonistas de suas vidas”, define Júlio, consciente de que somente no Brasil são cerca de 4 milhões de cadeirantes, número que incorpora outros 46 mil a cada ano. O KIT LIVRE oferece a essas pessoas a possibilidade de recuperar a mobilidade e a liberdade perdidas, além de eliminar a dependência de um cuidador.

O KIT LIVRE nasceu com uma visão jovem. “A ideia é dar estilo de vida, autoconfiança, tirar o caráter hospitalar”, explica Júlio, que quer proporcionar mobilidade aos usuários de modo seguro, confortável e até divertido.

Além dos modelos convencionais, há versões esportivas, que podem ser usadas em competições e que atingem até 40 km/h. Júlio conta a história de um pai vendo a filha, portadora de paralisia, ligar o equipamento, acender a lanterna e sair com a luz piscando, num final de tarde, para visitar uma amiga. “Ele nos contou como ficou emocionado, pois nunca poderia imaginar viver um momento como aquele”, lembra Júlio. Outro cliente foi mais longe na descrição daquilo que o kit representa para ele: “Eu não conseguia andar, agora consigo correr”, relata Júlio.

Da academia para o mercado

A ideia de transformar o projeto acadêmico em um negócio surgiu quando o primeiro protótipo ficou pronto, em 2011. “Quando ingressei no mestrado, não foi a visão empresarial, mas sim a visão tecnológica de desenvolver um produto que me interessava e desafiava. Depois de pronto é que eu entendi que poderia ser um negócio, que tinha um mercado”, lembra Júlio.

A conquista do Prêmio Santander de Empreendedorismo, em 2014, confirmou a viabilidade do produto e convenceu o irmão gêmeo de Lúcio a entrar como sócio na empresa, que mais tarde agregou o engenheiro de produção Eduardo Matsumoto.

Com o dinheiro do prêmio, fabricaram os primeiros kits e organizaram eventos de apresentação nas cidades onde iam entregá-los aos clientes. Na Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, em abril de 2015, na capital paulista, os buzinaços e test drives promovidos pela empresa resultaram em grande visibilidade e potenciais parceiros comerciais em vários estados.

O KIT LIVRE está no mercado desde abril de 2015, sendo que, até dezembro de 2016, já foram comercializadas 300 unidades, em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal, além de entregas pontuais nos EUA, Austrália e Alemanha. Do total de vendas efetivadas, 80% foram diretas, por meio de um site próprio, e 20% por meio de parcerias comerciais. A empresa já se prepara para abrir a primeira loja-modelo, oferecendo assistência técnica personalizada.

A Livre tem hoje capacidade para produzir de 20 a 25 kits por mês, sendo que cada um demora, em média, 15 horas para ser fabricado. Os diferentes modelos custam entre R$ 5 mil e R$ 12 mil, de acordo com a potência e a autonomia das baterias – preços bastante competitivos, se comparados aos de cadeiras motorizadas convencionais.

Os diversos prêmios e reconhecimentos onquistados posicionaram a Livre como empresa social inovadora, que agora conta com o aporte de um fundo de investimento de impacto social para dar um salto de crescimento, que mira inclusive o mercado internacional.

Uma bela trajetória para uma ideia que começou despretensiosamente como uma dissertação de mestrado.


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