Casos de Inovação

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Nanovetores

Apresentação

Empresa catarinense desenvolve tecnologia nacional que insere substância ativa nanoencapsulada em tecidos, para liberação gradual e controlada na pele.

A empresa

• Florianópolis - SC

• Porte: Médio

• 41 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Nanotecnologia

• Agenda da MEI: Marco regulatório – nanotecnologia/ Financiamento à inovação

O projeto

A trajetória da catarinense Nanovetores é tão surpreendente quanto as potencialidades dos produtos que ela desenvolve. Especializada em sistemas de nanoencapsulamento de princípios ativos, a empresa, fundada em 2008, registrou impressionantes 658% de crescimento, entre 2013 e 2015.

Com uma recheada carteira de 1,5 mil clientes ativos em 2016, superior ao dobro do número do ano anterior, a empresa estima faturar R$ 16 milhões em 2017. A Nanovetores, que atualmente exporta para 26 países, já abriu uma filial nos Estados Unidos e considera a possibilidade de atuar também na Suíça.

Tão significativos resultados empresariais foram colhidos graças a uma inovadora tecnologia de encapsulamento de princípios ativos, para aplicação em cosméticos e tecidos.

As cápsulas, inseridas na trama dos tecidos, liberam, de forma gradual e controlada, os princípios ativos que carregam. Com isso, é possível aumentar a eficácia do produto em até 5 vezes e reduzir a dosagem em até 10 vezes, na comparação com o mesmo cosmético em sua forma tradicional.

“Como a liberação do ativo ocorre lenta e continuamente, quando você veste uma peça que contém nanopartículas hidratantes é como se uma nova camada do produto fosse aplicada na pele a cada duas ou três horas”, explica Betina Giehl Zanetti Ramos, diretora-técnica e fundadora da Nanovetores.

O controle da liberação se dá por meio do que a empresa chama de gatilhos, que são as formas de abrir a cápsula, causadas tanto pela umidade, temperatura, pressão e fricção quanto por meio de enzimas. A tecnologia de encapsulamento desenvolvida possui outros diferenciais importantes, como a utilização de matérias-primas naturais, biodegradáveis e a realização de todo o processo produtivo em meio aquoso.

O primeiro produto com a tecnologia da Nanovetores no segmento têxtil, uma legging da Malwee com ação hidratante, foi lançado em 2013. Dois anos depois, a mesma empresa criou uma nova legging, dessa vez com propriedades anticelulite. Um verdadeiro sucesso de vendas!

O produto chamou a atenção da indústria de confecções de roupas para bebês e gestantes, levando-a a lançar vários produtos com ação repelente, o que deve aumentar em até cinco vezes a participação do setor têxtil no faturamento, atualmente girando em torno de 10%.

Curiosamente, a primeira ideia de aplicação das cápsulas com princípios ativos de citronela e icaridina era em roupas destinadas a uso em pescaria, camping e demais atividades ao ar livre. O crescimento das epidemias de dengue, Zika e Chikungunya, assim como os atuais surtos de febre amarela, criaram a demanda de saúde pública.

O portfólio de produtos da Nanovetores é direcionado principalmente aos segmentos cosmético, têxtil e odontológico, com clientes que vão de gigantes multinacionais a farmácias de manipulação.

A empresa aposta no atendimento personalizado para oferecer a melhor alternativa às necessidades de cada um. “Temos vários sistemas encapsulantes, alguns mais compatíveis com ativos hidrofílicos; outros com hidrofóbicos, uns que liberam com algumas horas de aplicação; outros que demoram bem mais para liberar e assim por diante. Por isso, primeiro precisamos entender o motivo pelo qual o cliente quer encapsular”, explica Betina.

Ciência e negócio

Na época em que realizava um trabalho de sínteses de polímeros em sistema de encapsulação em meio aquoso, durante seu doutorado em química na França, a farmacêutica Betina Ramos ainda pensava em seguir carreira acadêmica.

Mas as participações em feiras e congressos, durante o pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina, despertaram a ideia de desenvolver no Brasil a tecnologia de encapsulamento de ativos, já naquele tempo bem difundida na Europa.

Em 2008, Betina abriu a empresa junto com seu marido, Ricardo Henrique Ramos, com o propósito, nas palavras dela, “de investigar se todo o potencial da nanotecnologia, que se via nos artigos científicos, funcionaria como produto industrial”.

A empresa, incubada no Tecnopólis, Parque Tecnológico de Florianópolis, logo obteve apoio financeiro do Pappe/Fapesc para pesquisar a viabilidade de transposição dos resultados obtidos em laboratório para escala industrial.

Os primeiros testes clínicos foram animadores e, em 2010, quando a eficácia e segurança dos primeiros sistemas de encapsulamento foram validados, a empresa criou o portfólio e se lançou no mercado.

A Nanovetores tem hoje nove patentes depositadas “mais para evitar que outra empresa nos impeça de fazer algo que já fazemos do que propriamente para impedir que alguém tenha acesso àquilo e consiga reproduzir o nosso produto, além disso, questões confidenciais são mantidas em segredo industrial”, resume Ricardo.

A conquista de uma série de prêmios, entre eles o Stemmer de Inovação Catarinense e o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador, promovido pela Anprotec, em parceria com o Sebrae, contribuiu também para dar visibilidade e pavimentar o caminho de sucesso da empresa, que respira nanotecnologia.

Em 2016, a empresa ficou em segundo lugar no ranking Deloitte/Exame de pequenas e médias empresas que mais crescem no país. Foi também consagrada com os prêmios de melhor empresa incubada do Brasil, em 2014 e de melhor empresa graduada do Brasil, em 2016 - ambos concedidos pela Anprotec.

Importante ressaltar que, em 20 anos de premiação, a Nanovetores foi a única a conquistar esses dois prêmios da Anprotec. Em continuidade a sua trajetória de sucesso, a empresa abriu, em 2015, sua primeira sede fora do Brasil, nos Estados Unidos.


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