Casos de Inovação

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Neovech

Apresentação

Empresa de biotecnologia, voltada para a saúde humana, lança produto que destrói larvas de mosquitos transmissores de doenças.

A empresa

• Porto Alegre - RS

• EPP

• 6 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: TI

• Agenda da MEI: PME inovadoras/ Financiamento para inovação

O projeto

Inofensivo ao homem, plantas e animais, o produto contém, em sua fórmula, cristais proteicos produzidos pela bactéria Bacillus thuringiensis var israelenses (Bti), que destroem as larvas, após serem ingeridos. “Essa bactéria, esse bacilo, ao crescer sob estresse, se transforma num esporo. Isso ocorrendo, ela produz a proteína Cry que, ingerida pela larva, acopla-se à membrana da célula, criando um poro dentro dessa célula, no qual entra líquido. E aí a larva morre”, explica Fernando Kreutz, médico fundador da Neovech.

Embora a utilização de Bti como agente larvicida não seja inédita – já tendo sido largamente aplicado na agricultura – o Biovech, produto lançado pela Neovech, inova, ao oferecer uma formulação de venda livre, que permite o uso doméstico.

Convicto de que as formas usuais de eliminação dos focos dos mosquitos transmissores são de baixa adesão e, portanto, menos eficientes – qualquer depósito de água é suficiente para a reprodução dos insetos – a empresa gaúcha apostou em um larvicida biológico, que não apresentasse os efeitos residuais dos produtos químicos.

Partindo da premissa de que o mosquito deve ser combatido dentro de casa, a Neovech criou um produto eficaz e de fácil aplicação. Como não existiam regras regulatórias para enquadrar a inovação, elas tiveram que ser criadas a quatro mãos com a Anvisa, para permitir o lançamento do Biovech, em dezembro de 2015. A comercialização do produto se dá por meio de grandes cadeias de varejo e de uma rede de representantes, que atende a todas as regiões do Brasil.

Os resultados foram rápidos, impulsionados pelas epidemias de dengue, zika e chikungunya, que têm assolado o país. No primeiro ano, foram vendidas 82 mil unidades do Biovech, gerando o faturamento de R$ 2 milhões, com perspectivas de crescimento constante, diante da persistência das epidemias e do surgimento do surto de febre amarela.

O negócio vem crescendo rapidamente, e a empresa já conta hoje com uma equipe de 41 colaboradores, oito deles dedicados integralmente à pesquisa e desenvolvimento.

O sucesso estimulou o lançamento de novos produtos, tais como um repelente de insetos, desenvolvido a partir da citronela nanoformulada – de ação prolongada e mais efetiva – um repelente corporal para bebês e um aromatizador de ambiente, que utiliza nanotecnologia para preservar as fragrâncias, o que estende seu período de ação.

Mais do que isso, os resultados comerciais alcançados pela Neovech viabilizam a receita financeira necessária para dar continuidade à vocação de pesquisa em biotecnologia na área de saúde, capitaneada pela empresa-mãe, a FK.

Cientista e empreendedor

O perfil de Fernando Kreutz é uma combinação bem resolvida de cientista e de empreendedor com visão de mercado. Médico por formação, depois de concluir doutorado em biotecnologia pela Universidade de Alberta, no Canadá, em 1997, Kreutz voltou ao Brasil com o projeto de desenvolver tratamentos para o câncer, a partir da biotecnologia. No começo dos anos 2000 fundou a FK e logo atraiu o interesse de um fundo de investimento.

No entanto, já que o setor de biotecnologia voltado para a saúde humana não costuma mostrar resultados em curto prazo, a FK, em continuidade a suas atividades, buscou estabelecer parcerias com instituições como o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, a PUCRS, a UFRGS e, mais recentemente, a FEEVALE.

Por meio de uma dessas parcerias, com o Instituto Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, a FK veio a participar de projeto para o desenvolvimento de um larvicida biológico, em 2004. Ainda que o projeto tenha sido interrompido, a empresa deu continuidade às pesquisas, graças à dedicação da equipe de pesquisadores que Kreutz havia conseguido montar.

Decidido o projeto comercial do larvicida, a Neovech foi criada especialmente para cuidar do produto. Ela é uma sociedade independente, sem vínculo formal com a FK, embora 12 sócios integrem o quadro societário da empresa-mãe, que possui ainda seis outros sócios.

Dessa forma, a Neovech, com uma visão mais voltada para o mercado, respalda o trabalho de pesquisas em biotecnologia, iniciados no âmbito da FK.

Vários projetos estão sendo desenvolvidos, ainda sem resultados comerciais. É o caso, por exemplo, dos tratamentos e de uma vacina, contra o câncer, já patenteada nos Estados Unidos, que dependem de mais testes para ganhar viabilidade comercial.


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