Casos de Inovação

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Preamar

Apresentação

Startup baiana Preamar desenvolve sistema de informação e avaliação de risco, para eliminar incertezas do setor portuário e aumentar a eficiência e a segurança das operações.

A empresa

• Salvador - BA

• Porte: Microempresa

• 8 Colaboradores

• Inovação de produto/processo

• Setor: TI - oceanografia

• Agenda da MEI: Pequenas e médias empresas inovadoras

O projeto

Um software que simula e prevê o comportamento das correntes, marés, ondas, chuvas, densidade e temperatura da água, com precisão de 95%, é o grande trunfo da Preamar para conquistar um nicho de mercado, até então inexplorado por tecnologia nacional.

Com uma interface intuitiva e de fácil compreensão, o Sistema de Observação e Modelagem Costeira (SOMC) combina dados de domínio público, informações em tempo real, coletadas no local, e previsões próprias para avaliar o risco das manobras dos navios, por meio de um sofisticado algoritmo de modelagem computacional, o que permite aumentar a eficiência das operações nos portos e a segurança das embarcações. 

A falta de precisão das informações climáticas e oceanográficas disponíveis atrasa ou impede as manobras de entrada e saída de navios, realizadas pelos práticos, o que restringe o número de cargas e descargas nos portos. Um navio inoperante pode representar prejuízo de até US$ 80 mil por dia, dependendo da carga. Vale ressaltar que, nos portos brasileiros, a média de tempo parado de cada navio é de 14 dias ao ano.

Esse é o cenário que o SOMC se propõe a mudar. O Sistema fornece uma espécie de zoom nas informações sobre clima e mar, aumentando sua precisão de quilômetros para metros, além de gerar gestores de risco, que auxiliam nas tomadas de decisão dos práticos.

Na tela do software, o usuário visualiza, por meio de gráficos atualizados a cada 30 minutos, o risco de ser executada cada manobra, fornecendo ainda previsão das condições para os próximos cinco dias.

Por sua vez, os gráficos interpretam cada variável e apontam como elas impactam a operação, levando em conta as características do porto, da embarcação e até mesmo da carga. Segundo Mateus Lima, um dos sócios da Preamar, não existe software similar no mundo que ofereça essa característica de customização por tipo de embarcação. 

Depois de desenvolverem a primeira versão do sistema, os quatro sócios, Mateus Lima, Bruno Balbi, Davi Mignac e Rafael Santana, todos oceanógrafos, decidiram incubar a empresa no SENAI/Cimatec, em Salvador. Ali eles tiveram o apoio necessário para fazer o desenho do negócio e captar os primeiros recursos, provenientes dos editais da Fapesb (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia) e do Sebraetec, em 2014. 

 

Modelo de negócios

A instalação dos equipamentos e o acesso ao conjunto de informações, além do suporte técnico, são incluídos em diferentes planos (básico, plus e premium). Um investimento que pode gerar resultados imediatos, uma vez que no Brasil os prejuízos nas operações portuárias são expressivos.  Mateus diz que apenas em cinco sinistros ocorridos em 2015, três dos quais devido a condições climáticas indevidamente avaliadas, foram gastos R$ 276 milhões. Só na Baia de Babitonga, no sul do país, foram pagos R$ 65 milhões em indenizações.

O SOMC está em operação desde julho de 2016, em alguns terminais do Porto de Salvador, na Baia de Todos os Santos. No terminal de Cotegipe, o sistema conseguiu reduzir o tempo de espera dos navios em 53%, o que representa receita de pelo menos US$ 2 milhões. 

O plano de negócios da empresa prevê dois novos contratos em 2017 e quatro por ano, a partir de 2018. Se o mercado nacional é promissor, com cerca de 360 portos em operação, a Preamar já mira os cerca de oito mil portos nos demais países.

Um mundo de possibilidades para os quatro oceanógrafos, também surfistas, que parecem conhecer bem as ondas em que navegam para atingir o objetivo de transformar o produto que desenvolveram em um “Waze dos oceanos”. Ou seja, um software que tenha a mesma relevância para os navios, similar ao aplicativo de orientação para motoristas de veículos.  

Ainda fazendo analogia com automóveis, Mateus diz que a Preamar oferece luz para a garagem, onde o prático manobra o carro no escuro, conhecendo somente o desenho do veículo em Autocad. Mas o plano vai além: “No futuro, a ideia é permitir que o prático, além de acender a luz, possa escolher a vaga e saber exatamente o quanto pode colocar de carga no veículo”, finaliza.


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