Casos de Inovação

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Prosumir

Apresentação

Pequena empresa gaúcha desenvolve turbina que transforma o vapor de caldeiras, utilizadas nos processos industriais, em energia elétrica.

A empresa

• Porto Alegre - RS

• Porte: Microempresa

• 5 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Mecânica - equipamentos para geração de energia

• Agenda da MEI: Pequenas e médias empresas inovadoras

O projeto

A substituição da válvula redutora de pressão por uma turbina, nas caldeiras industriais, permite o aproveitamento do vapor para a geração de energia elétrica, proporcionando economia que pode chegar a R$ 400 mil por ano, em empresas de maior porte.

Com essa inovação, lançada em 2016, a startup gaúcha PROSUMIR entra firme no mercado de eficiência energética, contribuindo para diminuir a perda de 34 GW por ano no Brasil, o que gera prejuízo anual de R$ 10 bilhões, segundo o Ministério de Minas e Energia.

O dono da ideia é Julio Vieira, engenheiro mecânico e administrador, que fundou a PROSUMIR em 2014, após 16 anos de atuação em grandes empresas, fabricantes de turbinas para termelétricas. A Turbina Redutora de Pressão (TRP), desenvolvida pela PROSUMIR, substitui a válvula redutora nas caldeiras industriais, desempenhando a mesma função e, ao mesmo tempo, transformando o vapor em energia elétrica.

Vieira se beneficia da ausência de concorrentes no gigantesco mercado de aproveitamento energético, na faixa abaixo de 1 MW de geração. Para 2017, ele prevê a venda de nove equipamentos e um faturamento em torno de R$ 1 milhão.

Ousado, o planejamento estratégico da PROSUMIR aponta para o crescimento de 40% nos dois anos seguintes, quando a empresa deverá tornar-se uma S/A. Por isso mesmo, os sócios querem ter o controle sobre esse crescimento. “Temos que ter cuidado para crescer com estratégia”, resume o sócio André Thomazoni, também engenheiro mecânico.

Como funciona

As caldeiras precisam de uma válvula para diminuir a pressão do vapor, antes de alimentar os processos industriais. A redução é realizada por uma válvula mecânica, que restringe a passagem do vapor na saída, dissipando energia na forma de calor.

A turbina da PROSUMIR substitui essa válvula, realizando o trabalho de diminuição da pressão, ao mesmo tempo em que aproveita o vapor para gerar energia mecânica, transformada a seguir em elétrica e injetada no sistema.

A empresa estima que 20% das indústrias utilizem sistemas a vapor e que indústrias de alimentos e bebidas, agronegócio, hospitais e lavanderias devem ser o foco principal do negócio. 

Julio avalia que, no Brasil, o mercado de válvulas em geral movimenta US$ 2 bilhões por ano e o de válvulas especiais gira cerca de R$ 89 milhões. Em termos mundiais, as cifras são 30 vezes maiores.

Tendo em vista a magnitude desses números, a PROSUMIR está disposta a abocanhar uma parcela do segmento, oferecendo equipamentos personalizados ao processo de cada cliente.

Nessa direção, a PROSUMIR desenvolve modelos básicos de carcaça por faixa de potência de energia gerada, fazendo as adaptações necessárias para não alterar o processo industrial de cada cliente. Mesmo empresas de menor porte que usem, por exemplo, uma caldeira de 1 ton/h de vapor, podem obter economia de cerca de R$ 60 mil por ano, conseguindo o retorno do investimento em menos de quatro anos.

Árduo começo

A PROSUMIR trafegou na mesma rota de dificuldades de quase todo pequeno empreendimento, nascido de uma ideia sem grandes capitais disponíveis.

Julio Vieira decidiu abrir a empresa dois anos após o início do desenvolvimento da TRP. A empresa ficou incubada na Hestia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e conseguiu importantes apoios estratégicos para se consolidar: obteve recursos no edital Inova Pequena Empresa, do Sebrae, e ganhou 1.600 horas técnicas no edital Inovação, do SENAI, dois parceiros que acompanharam todos os passos da empresa nascente.

A partir daí, foram construídos dois protótipos, instalados na própria universidade. A confirmação da viabilidade da turbina TRP se deu com a instalação de um equipamento piloto de 5 kW, em uma empresa de alimentos em Porto Alegre.

Em 2016, a empresa levantou R$ 300 mil na campanha de investimentos Equity Crowdfunding e ganhou mais visibilidade, ao ser considerada pelo 100 Open Startups como a quinta startup mais atraente para investimentos no Brasil.


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