Casos de Inovação

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Rhodia Solvay

Apresentação

A Rhodia, braço brasileiro do grupo Solvay, desenvolve fio sintético, que se degrada biologicamente nos aterros sanitários.

A empresa

• São Paulo - SP

• Porte: Grande

• 30 mil Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Químico

• Agenda da MEI: Inserção global via inovação

O projeto

O primeiro fio sintético biodegradável do mundo foi desenvolvido no Brasil pela divisão de fios têxteis da Rhodia, em 2014. A inovação já representa 10% do faturamento do grupo no país. O fio, batizado de Amni Soul Eco, confirma a tendência estratégica de sustentabilidade da empresa, que pretende, até 2025, ter 50% de seu portfólio formado por produtos que impactem cada vez menos o ambiente.

Consciente de que toda a poliamida já produzida pela empresa no Brasil, desde a década de 1950, ainda não foi decomposta, dado o longo tempo de degradação natural, a Rhodia impôs a si o desafio de desenvolver um fio sintético que fosse biodegradável, mas sem perder as qualidades de maciez, tingibilidade e multiplicidade de aplicações do produto sintético.

O departamento de P&D da empresa optou então por criar uma forma de degradação no ambiente dos aterros sanitários, onde 95% dos tecidos são descartados no Brasil. A solução encontrada pelos pesquisadores foi incorporar, na estrutura química da fibra do fio, elementos capazes de atrair bactérias anaeróbias para digerir o produto.

Por viverem apenas em ambientes sem oxigênio, situação dos rejeitos depositados nos aterros, essas bactérias não têm como destruir o tecido enquanto ele ainda está no armário do consumidor.  “Percebemos que o produto precisava ser inteligente, precisava ter boa performance durante  sua vida útil e, depois, quando descartado, tivesse uma espécie de botãozinho que você ligasse e dissesse: ‘agora você se degrada’”, explica Renato Boaventura, presidente da unidade de negócios de fibras da Rhodia.

A eficiência da decomposição do produto foi confirmada por meio de testes realizados nos Estados Unidos, em conformidade com a norma americana para biodegradação de plásticos, já que não existem no mundo regras específicas para têxteis.

Foram testados o fio, o tecido cru, o tecido tingido e o tecido já lavado, para simular as diversas situações. As amostras degradaram 85% em três anos. A curva de tendência aponta que, em quatro anos, todo o carbono presente no material deve “desaparecer”, por meio de sua conversão em biogás (CO2 e metano) pelas bactérias.

Para aumentar a escala e testar o produto industrialmente, a Rhodia estabeleceu parceria com a tecelagem paulistana Santaconstancia, que comprou a ideia do Amni Soul Eco, realizou testes em sua planta industrial e lançou, na versão biodegradável, quase todos os produtos de poliamida que comercializa. 

A Rhodia atribui grande parte do sucesso do produto a essa parceria, que reuniu duas empresas sintonizadas com a questão da sustentabilidade. “Precisamos de parceiros que tenham a cabeça aberta e estejam dispostos a enfrentar o risco de inovar, uma vez que inovação que dá certo na primeira tentativa não existe”, resume Gabriel Gorescu, diretor de Pesquisa e Inovação da Rhodia para a América Latina.

 

Lançamentos no Brasil e no mundo

Confirmados os resultados, o produto foi lançado na São Paulo Fashion Week de 2014, em desfile do conhecido estilista Ronaldo Fraga, também aliado à causa das soluções ambientalmente corretas.

Para o mercado internacional, o produto foi apresentado na ITMA 2015, em Milão, na Itália, a maior exposição mundial de tecnologia de máquinas têxteis e vestuário, onde despertou o interesse de clientes da Europa e Ásia.

Protegido por patente mundial, o fio biodegradável da Rhodia deverá ter pelo menos quatro anos de exclusividade no mercado. Enquanto isso, a empresa busca baixar o custo de produção do Amni Soul Eco para competir com os fios convencionais, cujo custo é cerca de 20% menor.

O objetivo é ter uma linha de produtos biodegradáveis, de fonte renovável, que reduza ao mínimo o consumo de energia e água no tingimento.  “Hoje estamos em uma onda de transformação, na qual se busca funcionalidade no têxtil. Espera-se que o tecido, além de conforto e beleza, traga alguma contribuição adicional para quem o usa, seja no âmbito da saúde, do bem-estar ou do meio ambiente”, explica Gabriel.

De origem francesa, a Rhodia está no Brasil há quase 100 anos, tendo sido a responsável pelo lançamento de todas as fibras sintéticas no mercado nacional, como o acetato, o acrílico, o poliéster e a poliamida, no período pós Segunda Guerra Mundial.

Nos anos 2000, a matriz francesa transferiu para o Brasil o Centro de Inovação para o Desenvolvimento de Novas Tecnologias Têxteis, de onde surgiu o conceito de fios inteligentes, que culminou com o lançamento do Amni Soul Eco. A aquisição da empresa pelo grupo belga Solvay, em 2011, contribuiu para consolidar o processo de inovação e de pesquisa de novos produtos, com a estampa da sustentabilidade.


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