Casos de Inovação

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Tecvix

Apresentação

A empresa de prestação de serviços Tecvix muda o foco de atuação, entra no mercado de petróleo e gás e desenvolve produto inovador para a Petrobras.

A empresa

• Vitória - ES

• Porte: Médio

• 200 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Metalmecânica

• Agenda da MEI: Inserção global via inovação/ Financiamento à inovação

O projeto

A empresa capixaba Tecvix desenvolveu um inovador tubo de injeção de vapor para exploração de poços de petróleo terrestres, em condições de entrar no bilionário mercado mundial dos poços onshore.

O equipamento foi produzido a partir de uma demanda da Petrobras, que enfrentava problemas de falhas, no isolamento térmico, e de trincas, nos tubos que utilizava.

Em poços terrestres, é necessário injetar vapor a altas temperaturas para diminuir a viscosidade do petróleo, aumentando a pressão e, consequentemente, empurrando-o para cima e concluindo sua extração.

Os injetores são formados por dois tubos concêntricos, de diferentes diâmetros, separados por um isolante térmico desenvolvido com nanotecnologia de sílica-gel, que impede a dissipação do calor até o vapor alcançar o óleo. Os tubos, com 10 m de comprimento, são rosqueados para formar uma coluna que chega ao fundo do poço, que pode estar a até 2 km de profundidade.

A perda máxima de temperatura aceitável pela Petrobras é de 10%, ou seja, o vapor entra a 350º C e deve chegar ao petróleo a no mínimo 315º C. Já as trincas nas roscas e nas soldas são causadas pela dilatação e contração do metal e pelos procedimentos de montagem e de desmontagem das colunas.

Esse foi o enorme desafio que a Tecvix conseguiu vencer, combinando uma dose de ousadia com parcerias estratégicas com universidades e institutos de pesquisa.

Por meio de um processo de engenharia reversa, que superasse as barreiras tecnológicas, a empresa encontrou soluções para cada um dos problemas, oferecendo um produto de qualidade superior e de menor custo. “Em todos os nossos processos, tentamos mapear as tecnologias para desenvolver determinado produto e, quando não temos a competência interna para fazer sozinhos, buscamos parcerias com universidades ou mesmo com fabricantes”, esclarece Luiz Alberto, CEO da Tecvix.

A Petrobras adquiriu um primeiro lote de 800 unidades do novo produto, e a Tecvix acabou vencendo uma concorrência global para fornecimento exclusivo dos tubos, até o final de 2017, assinando um contrato de R$ 6 milhões.

Com duas patentes depositadas em parceria com a Petrobras, a Tecvix pretende agora internacionalizar seu tubo de injeção de vapor, de olho nos 900 mil poços terrestres em funcionamento no mundo, quantidade relativa a 70% da produção global de petróleo. Vale dizer que, no Brasil, onde prevalece a exploração marítima, existem apenas 9 mil poços dessa modalidade.

Com tamanha ampliação de horizontes, a empresa estuda ainda a possibilidade de fornecer os tubos e serviços de injeção de vapor aos clientes, em troca de participação no aumento alcançado da produção, o que deve transformar a Tecvix em produtora de petróleo. “É isso que fascina na inovação: você vai entrando num labirinto, desenvolvendo inúmeras possibilidades”, avalia Mário César Batista Santos, diretor de operações da Tecvix.

 

Busca de novos caminhos

A Tecvix decidiu rever sua estratégia de atuação em 2010, ao ver-se ameaçada pela concorrência de grandes players mundiais do setor de papel e celulose, que passaram a oferecer os mesmos serviços de manutenção, realizados pela empresa.

Assim, resolveu buscar oportunidades no setor de petróleo e gás, que vivia fase de grande crescimento por causa do pré-sal e da política de conteúdo local, estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A empresa criou uma spin-off, a Tecvix Desenvolvimento e Inovação (Tecvix DI), aceita na TecVitória, incubadora de empresas de base tecnológica do Estado. Ali, a Tecvix DI estabeleceu parcerias e realizou contatos com especialistas, para conhecer um mercado que ainda não dominava.

Em pouco tempo, candidatou-se a desenvolver um centralizador para revestimento de colunas de poços de petróleo, através do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). E, quase simultaneamente, conseguiu aprovar quatro projetos para o pré-sal no Inova Petro, programa do BNDES e da Finep, criado para desenvolver novos fornecedores para o setor.

Essas conquistas não significaram, necessariamente, faturamento. A vitória no edital do Inova Petro não garantia recursos a fundo perdido, nem a certeza de compra do produto pela Petrobras. Já a demanda do Prominp, de alta complexidade, ainda está em desenvolvimento.

Entretanto, a determinação da Tecvix foi notada pela Petrobras, que encomendou então, via Prominp, o desenvolvimento dos tubos injetores de vapor, abrindo caminho para a empresa se transformar em provedora de soluções tecnológicas para o setor.

O que não é pouco para uma empresa que prestava apenas serviços de manutenção antes de se reinventar, apostando na inovação.


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