Casos de Inovação

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WaveTech

Apresentação

Startup de Santa Catarina cria aparelho auditivo nacional a partir de tecnologia simples, que proporciona grande redução de custos, sem perda de qualidade.

A empresa

• Florianópolis - SC

• EPP

• 22 Colaboradores

• Inovação de produto

• Setor: Equipamentos auditivos

• Agenda da MEI: PME inovadoras

O projeto

Fundada há cinco anos, a pequena empresa Wavetech lançou um aparelho de amplificação sonora individual (AASI) com tecnologia brasileira e componentes nacionais e importados, o que lhe permitiu ingressar no seleto grupo de gigantes multinacionais que dominam o mercado mundial. O aparelho da Wavetech pode chegar a custar até três vezes menos, sem abrir mão da qualidade e estética, encontradas nos concorrentes importados.

A rápida e simplificada montagem semiautomatizada, similar à montagem de peças de Lego, é uma das razões do sucesso do aparelho auditivo. Como não há fios e as peças se encaixam com precisão, uma pessoa treinada é capaz de montar um aparelho em apenas cinco minutos.

O sofisticado software de programação da Wavetech possui diferenciais importantes, entre os quais a capacidade de ajuste de mais de 200 parâmetros, adequados às particularidades e necessidades de cada usuário.

Como a legislação brasileira determina que esse ajuste deve ser feito por um profissional de fonoaudiologia, a interface do software é tão simples e intuitiva, que pode ser operada por profissionais sem grande conhecimento de computação.

O software promove alterações automáticas de outras variáveis a partir de cada ajuste feito pelo fonoaudiólogo, uma espécie de autoajuste fino, que facilita a adaptação e garante a qualidade da audição captada pelo usuário. “Um equipamento pode ser o melhor do mundo, mas, se você o configura mal, a pessoa achará que é ruim”, explica Guillaume Barrault, engenheiro eletricista francês, fundador da empresa, juntamente com o engenheiro brasileiro Alexandre Ferreira.

O aparelho foi aprovado pela Anvisa em 2016 e, no mesmo ano, a Wavetech foi contemplada pelo Ministério da Saúde, mediante o estabelecimento de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), visando ao fornecimento de metade da demanda de aparelhos auditivos do Sistema Único de Saúde (SUS).

O SUS, considerado o maior comprador unitário mundial de equipamentos auditivos, adquire cerca de 200 mil aparelhos por ano. Cumpre destacar que o mercado potencial é ainda muito maior, segundo projeções do IBGE, que calcula que 5% da população brasileira têm problemas auditivos.

A Wavetech quer ir além do atendimento a um único cliente. Para tanto, seu projeto é de produzir aparelhos de boa qualidade e ainda mais baratos. Os sócios miram também o setor privado com preços diferenciados, para poder atender melhor à população com menor poder aquisitivo.

Embora jovem, a Wavetech já é considerada uma referência em desenvolvimento de produtos complexos para a saúde. A empresa, em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Otovida, atua em outro projeto promissor, o conceito de implantes cocleares invisíveis. Um dos elementos desse projeto é a implantação de um acelerômetro em um dos ossículos do ouvido médio do deficiente auditivo, produzindo o estímulo elétrico necessário para a captação do som, o que elimina a parte visível dos dispositivos atuais.

Trajetória bem-sucedida

Com experiência adquirida em trabalhos com sonares na Marinha norte-americana, assim como na área aeroespacial, Guillaume Barrault chegou ao Brasil, em 2003, para desenvolver projetos para empresas brasileiras, em parceria com a UFSC.

Foi lá que Guillaume conheceu seu futuro sócio, Alexandre Ferreira, que então fazia mestrado em processamento de sinal de áudio. Em função do alto custo de implantação de uma empresa – que precisaria manter uma equipe de engenheiros especializados trabalhando em pesquisa e desenvolvimento – o projeto de fundação da Wavetech passou por alguns adiamentos, até finalmente ser constituída em 2012.

Incubada no Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas, Celta, em Florianópolis, a Wavetech se manteve inicialmente com a prestação de serviços de consultoria no desenvolvimento de aparelhos médicos.

Em 2014, o projeto do AASI foi contemplado com R$ 600 mil no edital Tecnova, da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica de Santa Catarina. Este valor, somado aos cerca de R$ 4 milhões de recursos próprios dos sócios, ajudou a estruturar a empresa.

As dificuldades foram muitas, é verdade, porém a primeira pequena empresa no mundo a fabricar aparelhos auditivos vislumbra tempos melhores. “Vamos penetrar e conquistar o mercado privado, há espaço para nós”, avalia o engenheiro francês, que escolheu o Brasil para empreender. 


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